18 de dez de 2010

Cap 6: Revirando o jogo para o meu lado.

Música tema (clique aqui)

Eu estava com o coração mais acelerado que o meu carro pra chegar à casa de Aurora. Isso suava infantil quando eu podia beijar e transar com qualquer garota da escola. Mesmo assim, me excitava a idéia de sair com a menina de fogo. Claro que minha irmã tirara sarro de mim, correndo atrás como um cachorrinho possessivo.

_Vão fazer um programinha juntos? _ se jogou na poltrona do meu quarto e começou a me olhar com a inspeção de uma estilista. _Que tal aquela calça ali meio desfiada no joelho, ela ressalta sua bunda. _apontou pra o meu guarda-roupa aberto diante de mim. _ Ela vai querer te agarrar, confia em mim. _piscou o olho e resolvi seguir sua intuição por não ter mais tempo pra escolher. _A branca. _puxou do cabide a camisa e empurrou contra o meu peito. _Esse perfume aqui e tire essa pulseira ridícula de couro do braço! _tomou todo o controle e isso era sinal de barganha. _Agora, me conte qual vai ser? _cruzou os braços e sorriu.

_Hum, cinema. _falei baixinho na esperança de não entender o meu resmungo controverso.

_Ela sabe disso? _questionou sem a menor coerência. Franzi a testa e ela emendou. _Se você levou dois minutos pra se arrumar, irmãozinho, a sua garota vai levar umas três horas para combinar todos os sapatos, vestidos, maquiagens e acessórios. Isso significa que, se bancar o idiota que faz surpresinhas, ela vai querer te pegar. Só que, dessa vez, eu quero dizer enfiar uma faca bem aí no meio! _gesticulou como se enterrasse um punhal na palma da outra mão.

Pensei na promessa de que correríamos e na minha intenção de trocar o programa para o cinema através de uma ligação no meio do caminho da sua casa e, de repente, minha irmã pareceu um pingo razoável. Mesmo que Aurora não fosse discípula escrava da moda como minha irmãzinha do esquadrão da beleza, ela poderia ficar indisposta com a idéia de estar de moletom para ir ao cinema.

_ Vou avisar.

_Você sempre precisa de mim. _suspirou e continuou apoiada na minha escrivaninha estudando o meu semblante. Relutava por eu ter fechado seu acesso a minha mente nos últimos dias. _Conseguiu matar a charada sobre ela ser humana ou não? Eu posso ajudá-lo, se quiser.

_Nem pense nisso! _levantei e seus olhos se ergueram por eu ser mais alto e forte que seu corpo miúdo. _ Eu não preciso de uma protetora.

_Mas, ela vai precisar de um protetor quando todos descobrirem quem ela é.

_Não me importa.

_O que disse? _falou alto e pegou meu braço. _ Sabe o que isso pode significar? Aurora está em uma escola de super-humanos e vão expulsá-la de lá! Pra você não faz diferença, porque é super em tudo, super gato, super rico, super saudável, super inteligente... Não tem que fazer o mesmo esforço que ela pra jogar tudo por terra por um puro capricho hormonal de levá-la...

_Não é isso que quero!_botei um fim naquela conversa. Era isso que eu queria, mas não dessa forma, nessa seqüência comum, eu queria alguma coisa diferente que não sabia explicar. _ E estou atrasado.

_Então, vai ser pior ainda. _balançou a cabeça para os lados. _ Já pensou quando nossa mãe souber que seus gens vão ser propagados por uma humanóide fraca que morrerá logo?

_É só um cinema. Me deixe em paz. _pedi, sem deixar minha mente transformar sua profecia em imagens. Não queria que Aurora desaparecesse. Desci a escada da entrada da minha casa aos pulinhos querendo correr da realidade tão óbvia. Aurora se machucara e não se curara rápido, tinha dores musculares, se preocupava demais com a saúde e queria se afastar de mim. Era a equação equivalente a uma humanidade frágil.

Agora, eu dirigia com a única vontade de vê-la e, droga, não ligara pra avisar.

_Alô? _ disse quando ela atendeu. _Oi. Eu queria saber se podíamos ir ao cinema...

Seus dois segundos de mudez me fez pensar que eu podia ter trazido uma roupa de corrida e tênis como plano B. Agora era começar a torcer pra aceitar. Nem que eu tivesse que incentivar:

_Tem um filme legal passando e...

_Tudo bem. Pode ser. _aceitou facilmente e eu agradeci a sorte.

_Estou no caminho da sua casa. Eu posso esperar você se arrumar...


_Não, tudo bem, eu me arrumo muito rápido. Quando chegar, me espera no carro e me liga, ok?

_Ãnh, ok. Como preferir. _respondi, suspeitando ter algo que ver com seu pai. O que começava a ter total ligação com a possibilidade de ela ser mesmo uma humana. Mas, como era possível com um pai cientista e uma mãe superhumana, também?

Como pedira. Desci do carro na frente de sua casa e fiquei do lado de fora. Liguei pra avisar que chegara e me apoiei com a mão no bolso. Quando menos pensei, a vi sair do portão me fazendo piscar duas vezes pra acreditar. Usava um vestido solto, com as mangas caídas e um colete de couro marrom meio envelhecido e muitos cordões prateados pendendo entre seus seios. O cabelo brilhante emoldurava tudo em uma fogueira de cachos vermelhos.

_Oi. _ela cumprimentou-me com um sorriso amplo e brilhoso. Minha resposta retardada foi o silêncio e então correspondi: _Oi. Foi rápido mesmo. Já estava pensando em correr assim? _ lembrei-me da conversa com minha irmã.

_Ah! Esse é meu look de terças e quartas pra correr. _olhou-se de cima abaixo em tom de brincadeira e riu, passando o polegar na alça de argolas douradas da bolsa atravessada no seu peito como um sinal pra eu me tocar e fazer alguma coisa, tipo abrir a porta do carro.

(...)

Ela com os ingressos do filme na mão, eu agradeci por estar abraçado ao saco de pipoca, pois não saberia onde colocar as mãos, se na sua cintura ou nos meus bolsos. Pedi pra que pegasse minha carteira na parte de trás do meu jeans e com uma risadinha, se divertiu, tentando tirá-la. Foi inevitável me questionar se minha irmã estava certa sobre querer agarrar a minha bunda.

_Esse filme é bom? _ela perguntou enquanto caminhávamos para nossa vez de passar pela inspeção das carteirinhas.

_Pra dizer a verdade, escolhi pelo horário... _respondi vagamente enquanto eu me questionei rapidamente se ela tinha uma identidade de super-humana. Eu devia esquecer aquelas dúvidas, mas era impossível.

O governo tinha um banco de dados central que guardava nossos dados como cartões de crédito, movimentações bancárias e compras de qualquer gênero. Era difícil tecnicamente falsificar, por exemplo, uma carteira de estudante que nos isentava de pagar o cinema. Uma vez que estávamos em fase de aprendizado, era óbvio que devíamos ter o máximo de acesso a cultura de graça pra ganharmos o máximo de conhecimento.

_Não é possível.

_Ãnh? Desculpe, não prestei atenção no que perguntou. _voltei a realidade e observei em sua expressão que não gostara nada dos meus devaneios. _Nada. _passou a frente, entregando as carteiras, em uma rápida manobra passou a roleta e me deu as costas.

_Sério, desculpe, o que falou?

_Que não é possível que não checou na sua cabeça aí poderosa o trailler, roteiro... _ comentou com voz entediada e baixa, devolvendo-me dessa vez com frieza.

Suspirei e senti que suava com tanta pressão de possibilidades. Eu tinha que relaxar.

_Eu posso fazer isso. _concentrei-me buscando na rede com ajuda do meu chip dados sobre o filme.

_Esquece. _ disse aquilo com o mesmo tom de “morre!” e partiu marchando para a sala.

Entrei na sala redonda e me juntei ao grupo de pessoas que esperavam a projeção de 360º começar. Logo as holografias começariam a aparecer e o cenário nos envolveria completamente.

_Pode comer a pipoca, pelo menos ela não está tão ruim quanto eu. _dei um gole no refrigerante e senti que havia muito gelo. Eles deveriam descontar os 250 ml de gelo naquele combo.

_Foi mal, eu só... _ela balançou a cabeça para os lados e senti que era sua vez de tentar relaxar. _... Está boa mesmo? _mastigou um punhado de pipoca e fez um sim com a cabeça.

Deixamos nossas coisas em cima de uma bancada e nos sentamos. Eu podia baixar qualquer filme em casa, mas nada substituía a sensação de estar completamente imerso na estória, vendo os personagens passarem por mim como se eu fosse parte do enredo e estivesse no local. Agora, melhor que isso era ter uma super garota como aquela como companhia.

Parece que a nossa fome estava maior que a demora do início da sessão, pois acabamos rápido com a pipoca.

_Eu só não gosto de terror. Nada pior do que filme de espíritos. _ ela comentou e senti que dera a mancada do dia, pois fora justamente sobre isso que eu estava tentando lhe contar quando entramos. Acho que eu estreava nosso encontro desastrosamente.

_Hum... _levantei os olhos, estudando se a porta já havia sido trancado pra escaparmos.

_Não pode ser! _parece que Aurora entendera minha expressão de fuga. _É dos terror de pegar no nosso pé?

A luz se apagou e era como se eu a tivesse jogado no inferno de dantes sozinha, pois agarrou o meu braço e imediatamente pude medir sua pressão arterial.

_Acalme-se, é tudo mentira, você vai achar até divertido. _ri e me dei conta de que tudo se virara ao meu favor. _Eu estou aqui. _envolvi-a com os dois braços por trás até que minha respiração ficasse em seu ombro.

Ela abaixou mais a cabeça e fechou os olhos, esfregou a nuca com uma mão e me questionei se era algum sinal para que eu progredisse para aquela área agora nua, sem a cabeleira deslocada para o outro ombro.

Continua...

5 comentários:

Anônimo disse...

adoreiiiii
By: lay

Camila disse...

ameeeeeeeeeeeeeeei....curiosa pro proximo!!!!

bjos Li

Anônimo disse...

Olá Li , acompanho seus livros ha algum tempo , e ja li mais de tres vezes 'um coração em guerra' , adoro mesmo , e agora estou lendo aurora e me apaixonando , pois bem , eu tenho como hobby , artes gráficas , (photoshop cs5) e estou aqui para falar que qualquer coisa que voce precisar em relação a artes graficas , posso te ajudar sem custo algum , *-* , se quiser , pode mandar um e-mail , para biia-hp@hotmail.com ou adc. beeijos ;*

Anônimo disse...

Li,
vc já terminou o livro "angelica fora do paraiso"? eu queria ler a continuação do cap. 18 ...
e estou adorando seus livros!!!
continue assim ...
by: Lay

Li Mendi disse...

Oi, meninas. Fico feliz que estejam gostando. Bjs. Li.

Ocorreu um erro neste gadget