30 de mai de 2011

Cap 13: Escolhida pelo Alfa (Aurora)

Aquela história toda sobre os Alfas me deixava ainda mais apreensiva. Será que precisavam de um escândalo pra poder popularizá-los ainda mais? Já farejava em mim o cheiro de humanidade?

Por que Gisele queria ficar comigo era a segunda pergunta a me preocupar, a primeira era: “O que diabos eu ainda fazia ali, odiando- e ao mesmo tempo adorando - sua conversa maluca sobre roupas, moda, influenciar pessoas?”.

Éramos os opostos. Eu andava sempre à sombra, margeando a vida sob um capuz de casaco, incógnita. Ela era o símbolo, a referência, apesar de mais nova e mais imatura, era mais safa. Sua superhumanidade ajudava, mas conseguia ser a super das super. E seu ar de tutora fashion me deixava completamente submissa e serva de suas vontades. Como era ridícula, mesmo assim, vesti a blusa apertada preta e a saia xadrez vermelha curta em um biombo de madeira no canto do quarto.

_Não coube em mim._comentei e antes que eu voltasse pra meu velho confortável pijama- uniforme, ela apareceu em um pulo do meu lado. _Como não?! Fechou perfeitamente em você.

O conceito de se vestir pra ela era fechar os botões? Eu sentia meus seios pulando do decote e as pernas envoltas em um cinto que ela confundia com saia. Sairia daquilo agora, mas Gisele me impediu:

_Espera!_ espalmou as mãos na minha direção e eu bufei, me sentindo sua bonequinha. _vasculhou uma caixa e colocou um colar de corrente, onde por dentro passava uma fita rosa e pendiam algumas pérolas e penduricalhos de cobre. Eu não era um manequim pra ficar brincando com a composição. Mas, eu estava gostando. _Deixa eu ver o que faço pra tampar suas pernas, anhhhh..._mordeu o canto da unha de porcelana enorme. Como assim tampar minhas pernas?! Era mais perfeitas e naturais que as suas recém lipoaspiradas e cheias de hormônios. _Coloca essa meia grossa preta aqui com listras. _estendeu na minha frente e eu gostei da idéia. Era só pra brincar, não? Algumas horinhas não iam deixar meu pai completamente furioso, hãn?_ Coloque esses sapatinhos aqui de boneca. _ jogou aos meus pés e o som do salto no assoalho fez um estalido oco._Olha só, agora você é uma das minhas. _ colocou o braço no meu e sorriu como um anjo para o espelho a nossa frente. Olhei-me completamente sexy e ingênua naquela composição que era muito sensual e muito discreta ao mesmo tempo, como uma ilusão de ótica, que dependia do ângulo. Eu nunca poderia ser uma das suas, mas tentei manter o sorriso no rosto e curtir o momento.

_Eu vou tomar um banho. _avisou. Era o sinal soando para o fim-tira-a- roupa- vamos- acabar- com- essa- palhaçada? _Podia me fazer o favor de descer e avisar a empregada que chegamos? Ela vai colocar a comida na mesa.

_Hum, ok. _ concordei em fazer aquele favor e, na volta, tirar a roupa._ adiei por alguns minutos o fim daquela brincadeira de colocar roupa em boneca.

Quando atravessei o corredor em direção a escada que dava para o primeiro andar, ouvi uma música com voz rouca surgindo de alguns pontos no teto (ouvir >>). Enruguei a testa. Escorreguei a mão no corrimão dourado como ouro e olhei para cima, deixando meus pés sozinhos por inércia procurar o espaço dos degraus. Assim fui descendo enquanto descobria micropontos de fones nos cantos do teto. Meu corpo oscilava, deslocando o peso do corpo ora para um pé, ora para outro, pisando pesadamente.

Meus olhos, de repente, se depararam com Doug na base da escada, apoiado nas costas de um sofá, com as duas pernas cruzadas e os braços fortes e apertados no abrigo do time, me admirando descer. Enquanto eu estaquei, meu coração rolou escada abaixo e parou inconsciente lá embaixo, pois fiquei lívida. Foi minha vez de dizer “oh, my god!” mentalmente. Era uma ilusão, Gisele deve ter me dado drogas injetadas na malha da roupa que atravessou a minha pele. Ele não estava ali e eu não estava ali. Enquanto pensava sobre essa possibilidade física de invisibilidade, seu canto da boca levantou em um meio sorriso que me fez fechar ainda mais a cara e a respiração alterar.

Doug deu um impulso pra frente e num relance de segundos subiu os dois degraus que nos separavam e segurou uma mão no corrimão, impedindo-me de passar.

_Vocês dois combinaram alguma coisa? _ perguntei, irritada com essa chance. _Acha que posso ser o coelhinho de estimação de vocês?

_Não sei o que está falando..._ abaixou o queixo e de boca entreaberta e olhos arregalados, passou a mão no cabelo da nuca e fez um suspense, até soltar o ar. _ Você está...

_Ridícula! _revirei os olhos e virei-me para subir, mas sua mão de ferro puxou-me, me fazendo chocar-me contra o paredão do seu corpo, provando um terremoto em meu corpo. Eu provavelmente cairia junto com ele se fosse humano, mas era extremamente forte para me segurar. _O que quer?

_Eu não sei o que queria até então, mas agora tenho certeza! _olhou-me com tanto desejo que a voz saiu grave demais e felina.

Franzi a testa e balancei a cabeça para os lados.

_Fique longe de mim. _continuei a subir a escada, voltando a dar-lhe as costas. Era para seu bem. Por que tinha me escolhido desde o primeiro encontro de quase atropelamento?

_Aonde vai? _perguntou-me, seguindo meus passos.

Bati a porta do quarto no seu nariz e vi Gisele sair do banheiro enrolada no roupão branco, ainda de cabelo seco. Ela tomava banho à vapor ou voltara porque esquecera de pegar alguma coisa? Sem dar-lhe qualquer explicação, comecei a desabotoar a saia e a blusa.

_Está tudo bem? O que houve? Parece que tem um bicho na roupa._riu.

_Obrigada, foi muito divertido, mas..._pulei de um pé só, busquei a minha roupa, fui para trás do biombo me trocar.

_Você pode me explicar o que está acontecendo? Viu algum fantasma? _não se importou de invadir a área do biombo e me ver de costas nuas e calcinha.

_O seu irmão acabou de chegar! _quase gritei, mas o tom foi suficiente para entender o quanto eu estava com raiva.

_E? _com tranqüilidade levantou as sobrancelhas. _Isso não estava previsto?

_Hum... _procurei meu tênis.

_Aquele idiota fez alguma coisa com v...?

_Não, não fez nada._cortei-a.

_Ele não fez nada, a única coisa que te incomodou foi o fato dele chegar...

Ela era tão idiota ou isso era um joguinho pra que eu dissesse com todas as letras de que estava com vergonha de ter sido vista vestindo suas roupas como alguma cabeça mole facilmente influenciável?

_Você previu que ele estava pra chegar e me mandou descer vestida daquele jeito?

_Olha, eu acho que realmente você está confundindo as coisas. _fez-se de magoada._ Desculpe se tem algum problema em parecer interessante e prefira se vestir assim, mas não tenho como prever a vida do meu irmão, se entra ou não em casa na hora que deseja. Podem almoçar sozinhos que vou sair. Licença, vou voltar para o meu banho.

Dei um passo a frente na direção das suas costas, mas desisti de pedir desculpas, lá no fundo eu desconfiava daquela raça que tinha poderes que eu não dominava.

Desci as escadas rapidamente, prevendo que o encontraria em seguida. Mas, Doug não estava por ali. Abri a porta facilmente por dentro, ganhei a luz do sol e escapei sem dar explicações. Fugindo. Eu sempre fugiria?

4 comentários:

Anônimo disse...

Estou A-M-A-N-D-O a sua volta e tudo o que você está escrevendo Li. Sério. Fiquei com tanta fome de Aurora que é quase um orgasmo o que estou lendo nesses últimos posts. Por favor, continue assim. Beijocas, Verônica Medeiros.

Anônimo disse...

OMG OMG OMG!!!
ela volto minha gente!
rsrs serio, tô mtoi feliz pela sua volta ,Li!
By:Lay

Gabi disse...

Graças a Deus você voltou a escrever!

Não aguentava mais ficar vindo ver as atualizações!

Eu espero que a história continue maravilhosa como está, e que essa seja uma história de amor daquelas!!

Brina disse...

Ai q d+....amei esse capítulo.....até qnd Aurora vai conseguir esconder q tb está afim do Doug????
Bjs

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