24 de jun de 2011

Cap 17: Você me acende (Doug)

(ouvir)

Começava a desconfiar seriamente de que Aurora me forçava nosso afastamento. Se ela queria tornar as fases desse jogo mais difícil pra me desestimular, não sabia que havia incansáveis jogadores por trás interessados em um ótimo desafio. Expliquei-lhe que a oferta de levá-la em casa não passava de uma questão de educação. Pareceu simplista depois que argumentei, mas surtira efeito. (Quando eu digo que é difícil prever suas reações!)

Enquanto Aurora pegava no vestiário as roupas e toalhas do armário pra poder levar pra casa na mochila, verifiquei o que os jogadores pediam. Eles queriam que eu a convidasse pra jantar. Mas, como? Fora uma luta conseguir convencê-la a ir pra casa comigo! Cocei a cabeça e olhei a hora. Aceitei, iria chamá-la para... Logo surgiram algumas sugestões de lugares. Eles pensam em tudo por mim.

Abriu-se um foro de como Aurora deveria ir vestida. Revirei os olhos. Eu só queria ir a uma lanchonete e começavam a travar uma guerra de marcas de roupa e sapato?!

Esperava que fossem rápidos, pois Aurora não podia desconfiar que estava sendo manipulada. Até que ponto todos nós não somos guiados pelo que as empresas querem que achemos bom pra comer, pra vestir, pra usar. Por que achamos que a escolha é nossa só pelo fato de que apenas pagamos o que oferecem pra nós?

Recebi uma mensagem de que as roupas e sapatos já fora escondida no banco de trás do meu carro. Era muito estranho saber que sempre estavam por perto e me amparavam como sombras. Mas, naquele momento, só queria estar com Aurora, não importava o que usasse. Caminhamos até o meu carro rapidamente, pois o frio estava forte. A temperatura do planeta nunca fora tão instável.

_Podemos parar no caminho pra comer alguma coisa? _ usei a voz mais displicente que achei e torci pra que aceitasse. _O treino foi puxado e preciso repor. _ era preciso levar para o lado prático. _ Já estamos infringindo os horários ou ainda dá tempo?

O tempo que Aurora custou pra pensar me trouxe dez segundos de desamparo.

_Ok, acho que posso te ver devorar um sanduíche.

Ótimo! Segurei o suspiro pra não parecer desespero. Sanduíche? Eu não conseguiria pedir sanduíche no lugar onde eles planejavam que eu fosse...

_Sanduíche? Não... Eu não te levaria a uma lanchonete gordurenta. _Olhei-a e vi que sua veia no pescoço pulsava. Estava em fuga? _Ãnh-ãnh, você já aceitou! _coloquei o carro no caminho do vale Rotsu. Agora era o momento de descer o pano do acaso forjado sobre a cena. _No banco de trás sempre tem coisas da Gisele. Veja se tem alguma coisa que sirva por aí?

Ela virou-se pra procurar e achou que aquilo não lhe serviria, pois era muito formal. Ai ai, as notícias devem ser dadas em doses homeopáticas.

_Claro que vai servir. Gisele é conhecida por ser a mais atualizada em moda...

_Uma garota Alfa?_ perguntou e senti que olhava pra mim. Cocei o queixo e não lhe respondi. Era um pouco estranho saber que Aurora me via como Alfa. Por que diabos Gisele lhe entregara o ouro? Será que queria testá-la pra ver se estava comigo por gostar de fato ou para ficar próxima de um cara que tem tudo? Seja lá a intenção de Gisele, nos juntar ou repelir, ou onde quer que os jogadores nos levariam, havia uma certeza: eu gostava de estar ao seu lado.

_Está muito frio, o casaco vai te aquecer. _ falei-lhe sobre utilidade, mas quando ela colocou os dois braços e ajeitou a gola, percebi porque uma roupa de alta grife com um corte perfeito em uma garota linda como ela significava a perfeição. Depois de calçar os sapatos, no lugar do tênis, ela procurou o espelho a sua frente e passou o batom que tirou da sua bolsa. Seu cabelo vermelho que estava enrolado no coque ganhou ondas sobre seus ombros e o perfume do seu xampu ficou no ar.

_Aonde é que vamos? Caçar alguma coisa pra comer?_ questionou quando percebeu que íamos pegar o caminho da colina.

_Você verá a vista mais bonita de toda sua vida. _dei um clima de suspense que achei que já pudesse suportar sem reclamar, estávamos suficientemente longe de tudo. Aurora inclinou a cabeça e procurou na nossa frente o restaurante todo envidraçado e iluminado no topo do monte voltado para o lago norte. A lua estava linda, deixando o facho de luz sobre o lago prateado.

_Não era só comer alguma coisa?_agora estava quase sendo chata! Eu ia levá-la para o restaurante mais caro e mais incrível que veria em toda sua existência! Vestia um sobretudo que pagava a anuidade do colégio e um sapato feito a mão, por que não simplesmente começava a se sentir uma bem aventurada entre todas as garotas?!

Entramos no estacionamento e meu chip foi lido pelo scanner da entrada. Sabiam que um Alfa estava ali. Eu podia imaginar como todos se colocavam a postos pra me receber como uma celebridade a fim de me proporcionar a experiência do melhor jantar que eu pudesse reverberar depois. No meu GPS já começou a piscar o lugar pra estacionar próxima a entrada. Eles sabiam ser eficientes.

_Vamos nessa. _desliguei o carro e dei a volta pra abrir a porta pra Aurora.

_Hum... Como faço? Devo levar a mochila...? Não tenho uma bolsa. Não estava preparada para isso..._ olhou pra frente e vi que a maître já estava ansiosa nos observando.

_Não se preocupe, tudo que precisamos está comigo._ fiz com a cabeça um sinal pra me seguir. Quem precisava de qualquer coisa com um cartão black no bolso? Eu estava um pouco informal, calça jeans e blusa estampada. Mas, eu sabia que não importava que fosse de pijama, meu chip com meu limite bancário e meu histórico de compras diriam quem eu era.

_Boa noite, Douglas. _ a maître sorriu e olhou pra Aurora sem entender por que não conseguia ler seu chip para saber todos os seus dados. Era como se eu andasse com uma incógnita e até começava a gostar disso. Ela era uma porta fechada e eu uma janela aberta pra qualquer um espiar. _Temos uma mesa lá fora para vocês admirarem a noite. _sinalizou com a mão pra passarmos.

_Você reservou? _Aurora murmurou baixinho.

_Não, não, ela sabe dos meus gostos... _ dei de ombros.

_Hum, ela sabe que sempre traz garotas aqui pra ver “o luar”?_ era ironia ou nojo no tom da sua voz?

Ok, os jogadores começavam agora a travar uma aposta sobre se eu a beijaria ou não com aquele humor tão arisco. Pra começo de conversa eu decidiria quando e se eu queria beijá-la!

Aurora parou diante da sacada e vislumbrou a vista espetacular, seus lábios se entreabriram pra recuperar o fôlego. Minha perfeita visão noturna pode capturar o cintilar dos seus olhos. Era emoção?

_Eu nunca trouxe ninguém especial aqui. _ quase menti. A última pessoa não fora especial. Não mais. _Foi uma boa sugestão da Maître. _ na verdade, dos jogadores.

Aurora virou o rosto pra mim e seus olhos verdes escuros brilhavam o fogo das tochas próximas. Ela era o próprio calor da noite.

_Se isso é um lanchinho rápido, o que seria um grande encontro? _ riu.

Eu imaginei rapidamente pirâmides, resorts, montanhas, castelos, mas Aurora enrubesceu e retirou a pergunta.

_Quero dizer..._gaguejou. _Como amigos, imaginei uma batata frita e..._sua voz sumiu da garganta com o movimento que fiz de segurar sua cabeça pela nuca por baixo de seu cabelo vermelho. Seus olhos dilataram-se ainda maiores. Inclinei o rosto pra beijar seus lábios úmidos, mas virou o rosto ligeiramente pra trás, deixando apenas o gosto do canto dos seus lábios. _Doug, melhor não... _gemeu baixinho, apertando minha camisa. Era tão doloroso assim um beijo? Eu não fora criado com negativas.

_O que falta pra ser um encontro? _ segurei seus cabelos com a mão fechada e olhei com dominação seus olhos verdes agora miúdos. _ Isso?_ beijei-a com toda a vontade que ela vinha retendo em mim, agora eu desaguava abrupto, deslizando lábios sobre lábios. O que podia fazer se não entreabrir mais a boca e me receber. Sua cabeça reclinou pra trás e eu a apertei em um abraço fechado, não a deixaria cair, não deixaria que nada pudesse pô-la em risco. Seus braços recolhidos em proteção uniam seus dois punhos e a ponta dos dedos tocava meu queixo. Não queria derrubar seus muros se já tinha conseguido que abrisse a porta para mim. Afastei um pouco o rosto e sorri. _Está com fome?

Aurora abaixou um pouco a cabeça e levemente a balançou recobrando a vida, se situando no espaço.

_Acho que é pra isso que viemos, não? _sorriu um meio sorriso.

Sentamos em uma pequena mesa iluminada com pequenas velas quadradas.

_Quer pedir alguma coisa em especial? _deslizei o dedo sobre a fina tela no canto da mesa e com poucos toques pude ver o menu.

_Confio em você. _ disse e seus olhos estavam perdidos no céu estrelado atrás de mim. Confiar em mim parecia ser uma decisão conflituosa pra ela.

Escolhi uma massa e um vinho, coloquei o tempo estimado que eu esperava que chegasse e selecionei um estilo musical de música lenta que começou a tocar abaixo da nossa mesa, vindo de um pequeno dispositivo no teto que permitia que apenas nós pudéssemos apreciar a canção sem que outras pessoas a ouvissem.

_Está gostando da cidade? _perguntou, bebendo o vinho que acabara de chegar.

_É legal... _assenti.

Cidades como aquelas eram poucas no mundo com água pura, árvores, animais. As megalópoles possuíam toda a tecnologia e indústria avançada, mas não tinham a paz desses recantos. Era muitíssimo caro viver aqui, pois o lugar era disputado. Os humanos ficavam nas cidades servindo de empregados para as fábricas e montadoras. As ofertas de trabalho eram bem reduzida na era das máquinas que podem se comunicar e se reprogramar sozinhas. O pai de Aurora não era rico como os meus, mas um grande cientista que conseguira ao longo da sua vida unir reservas pra manter sua família aqui. Por suas aulas na escola eu podia imaginar a educação que ela recebia. Ele estava muito mais preocupado com respirar o ar puro, com o sol, a lua e o rio do que meus pais com plásticas, chips e remédios feitos na medida da necessidade dos nossos gens.

_Você sempre morou aqui? _ perguntei, já sabendo a resposta. Eu era a pessoa que mais prestava atenção nas exposições do seu pai em sala.

_Não consigo me imaginar em outro lugar. É tão tranqüilo, bonito..._ olhou o lago e a lua e suspirou. Por um segundo achei que era tristeza, mas ela me enganava com sorrisos bondosos. _... Você pretende voltar para o lugar de onde veio?

_Estamos bem aqui. _dei de ombro.

Percebemos um leve flash. Aurora e eu viramos o rosto pra ver quem tirara a foto, mas nenhum rosto se denunciou. Podia não ser com a gente, a noite estava bonita e qualquer um poderia tirar uma foto. Aurora, no entanto, estava menos relaxada que eu e pediu licença pra ir ao banheiro. Eu sabia que estava com o celular no bolso e iria ver na rede o que publicaram sobre nós. Joguei o guardanapo com força na mesa e meu punho se chocou contra o vidro, produzindo um leve tremor nos pratos e talheres.

As câmeras eram os outros. Eles viam, teciam e escreviam a nossa estória. Enquanto alguns jogavam, outros assistiam. Recostei-me na cadeira e olhei o lago ao lado. A lua estava menor. Varri a Rede e logo encontrei um vídeo do nosso beijo. “Doug teve que apostar alto hoje com aquela garota, qual o nome? Hum... rapidinho vão lembrar, porque agora ela está na fatura do preto e brilhante cartão de crédito de Doug Toulevar. Será que é só por uma noite? Doug, querido, tem um lugar bem gostoso no pé da montanha, estrategicamente te esperando. Ou escolheu esse lugar por causa da lua? rsrs”

Se Aurora tinha lido aquelas fofocas sem fundamento, era bom que eu ficasse longe da sacada pra que não me empurrasse ali de cima.

Surpreendentemente, ela voltara sorrindo e de cabeça erguida. Acompanhei todos seus movimentos com desconfiança e o rosto tenso. Sentou-se ao meu lado, tomando o cuidado de puxar a cadeira mais para perto. Isso estava me dando medo! Quem ela encontrara no banheiro? Aurora pegou a taça balançou levemente e bebeu o vinho. Seus olhos eram uma floresta verde de um verão quente. Era pra eu fazer algum movimento agora ou se me mexesse estragaria tudo? Por que eu temia que Aurora estivesse querendo chamar atenção? Sua mão encontrou o cabelo da minha nuca e o afagou. Seu olhar sobre a minha boca era o sinal pra que eu não perdesse mais nenhum tempo. Beijei-a com vontade e o contato quente e macio de sua boca só fora interrompido pelo jantar que acabava de chegar.

_A gente podia depois ver a lua mais de perto. _sugeriu.

Em qualquer lugar a lua tinha a mesma distância, não? Ela queria dizer longe de todo mundo?

_Quer alguma coisa de sobremesa?

_Não..._falou com a veemência de um ex-dependente nervoso.

_Ok...

Ela balançou a cabeça para o lado, punindo-se, mas tentou me dar um sorriso pra não ficar má impressão. Eu tirei o cartão Black do bolso e entreguei ao garçom. Senti seus olhos alguns segundos sobre ele e não exerceu o mesmo feitiço que acontecia com todas as garotas. Aurora não reagia com a mesma previsibilidade que as outras.

Entramos no meu carro e ela respirou fundo e soltou o ar. Aquilo era alguma espécie de alívio? Inclinei-me um pouco sobre o volante e perguntei qual o caminho.

_Qualquer lugar por aí... _deu de ombro e ligou o som do carro.

Desci pela estrada sinuosa com cuidado enquanto ouvíamos uma música antiga que ela escolhera por qualquer motivo que eu não me importava, com quanto chegasse no lugar que queria. Ganhamos a estrada e em um dado momento, ela pedira que parasse. Aqui? Havia floresta de um lado, estrada, céu limpo e estrelado. A lua, nós, ninguém mais.

_Pode ser perigoso a gente aqui... _comecei a falar, mas ela já tinha descido do carro. Estava frio, por que não era mais convencional e escolhia um lugar menos a ermo?

Desci também e a encontrei encostada no carro, ao lado da minha porta. Não viemos ali pra conversar. Não imaginei que terminasse assim, mas foi Aurora que me puxou primeiro e nos beijamos com muita vontade e desespero. Fazia calor como se ela emanasse uma fonte própria de aquecimento mais forte que o normal.

De repente, ouvimos grunhidos de um animal raivoso e nossos lábios se descolaram com um leve estalido. Aurora viu sobre meus ombros algo que a apavorou.

_Não se mexa..._ela sussurrou. _Parece ser um cachorro mutante...

_Não tinham exterminado...?

Os cães modificados em laboratório pra que tivessem maiores habilidades de proteção, caça e força nem sempre davam certo. Uma espécie ruim e muito perigosa havia sido produzida e tentávamos lutar pra exterminá-la. Mas, seu maior perigo era justamente não aparentar esses sinais enquanto pequenos, o que fazia com que famílias facilmente os adotassem e depois descobrissem que criaram monstros.

_Entra primeiro no carro... _instrui-a.

Aurora conseguiu entrar, mas não demorou alguns segundos pra sentir a mordida em meu ombro.

_Doug! _ela gritou e eu usei a força do meu braço metálico pra cotovelá-lo. Foi só aí que me virei e pude ver o bicho de pelos pretos, olhos vermelhos e dentes afiados pingando sangue. Ele tinha a altura do meu peito de pé e podia me matar se conseguisse me derrubar no chão. Minha camisa começava a ensopar de sangue. Aquele animal arrancara um pedaço da minha carne com uma só mordida.

_Aurora, não saia daí! _pedi e pensei como fazer pra entrar no carro o mais rápido possível.

A luz dos faróis que Aurora acendeu pra afugentá-los me permitiu ver que eram uma matilha de cães famintos em uma fileira. Eu não sobreviveria ao ataque de todos eles e isso me deu um terror de morte.

Quando dei um passo atrás pra entrar no carro, tropecei e caí de costas, o que agora os deixavam na posição perfeita pra pularem todos de uma vez sobre mim e arrancarem cada membro em pedaços.

_Doug! _ Aurora gritou e desceu do carro.

_Não! _ berrei pra que ficasse onde estava, seria burrice morrermos os dois, se ela já estava a salvo. Mas, não me ouviu e me deu a mão pra que levantasse.

Os cães correram em nossa direção em linha, eram oito grandes feras negras e babando de fome por nossos corpos. Eu já havia acionado minha irmã pelo chip, mas eles não chegariam a tempo. Encontrariam só nossos ossos.

_Vão embora... _ Aurora gritara com uma voz rouca e forte. Eles diminuíram o galope, mas não deixaram de estar perto demais. Foi quando ela berrou muito alto. _ Vão! _ uma linha de fogo formou-se em sua frente e todo o mato começou a queimar em labaredas.

Eu estava petrificado. Onde conseguira um isqueiro e coragem pra incendiar tudo? Os cães latiram e sumiram para dentro da floresta novamente. Aurora cambaleou e desfaleceu no chão. Não havia nenhum objeto em suas mãos, mas essas estavam muito vermelhas e quentes.

_ Aurora?_segurei seu rosto e seus olhos se abriram novamente._Eles já foram.

_E seu ombro? _sentou-se ainda tonta._Vamos sair daqui.

Ela abriu a porta do carro e sentou-se no volante. Pediu que eu cobrisse o ferimento com o seu sobretudo e eu notei quando o tirou que estava suando. Não ousei perguntar, ela estava dirigindo a 160 por hora na estrada vazia e suas mãos começavam a dar bolhas.

_Eu sou uma grande idiota!_gritou, fora de si. _A lua? Droga! _virou em uma curva cantando pneu e chegou no hospital quase quebrando a grade da entrada.

Eu perdera muito sangue e uma sonolência me deixou com a última lembrança da sua voz pedindo pra que eu agüentasse firme.

[Continua...]

+ Autora conta planos para o livro Aurora >>

3 comentários:

Brina disse...

Aí....será q vai dar tudo certo para o Doug....

Li Mendi disse...

De onde saiu o fogo? Quem arrisca mais?!

Gabi disse...

Eita gente, aposto que a aurora temalgum poder, pode ser sobrenatural ou de alguma modificação inicial ...

mas que foi mto legal foi!!!!

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