6 de set de 2011

Cap 22: Abrindo mão da imagem (Aurora)

A tarde caía com um sol fraco e um vento úmido entrando pelas janelas altas da casa de Doug. Estávamos deitados abraçados no sofá com minha cabeça em seu peito ouvindo as batidas do seu coração. Isso me fazia lembrar que ele tinha um pouco de humano e não era de todo biônico. Mesmo que seu coração fosse mais resistente ou substituível, diferente do meu. Fechei os olhos, tentando impedir o pensamento de que eu viveria menos tempo que ele. Ultimamente essa dor era o toque de recolher dos meus escrúpulos e virara justificativa para todas as medidas inconseqüentes. Digo, pra mim, porque não havia nada demais para as outras garotas da minha idade ter um namorado. Mas, se não bastasse eu me dar a esse direito, ainda escolhera o cara mais lindo, sexy e divertido da escola! Claro, ainda era um superhumano e Alfa.

_Acho que já deve estar na hora de te levar em casa. _ sua voz soou grave, um pouco rouca, vibrando por todo seu corpo. Aquela sensação me fez ficar com os olhos um pouco mais fechados. Aquele cara que da primeira vez me irritara muito quase me matando atropelada agora me fazia suspirar ao sentir o contato da sua pele quente.

_É... sempre chega a hora da partida. _ coloquei o queixo em seu peito e brinquei com seu lábio na ponta dos dedos, vi seus olhos cintilarem e, então, eu o beijei. Sua mão fechou em meu cabelo e sua força me apertando me tirou o fôlego. Tentei escapar e acabei escorregando no chão. Rimos, pois sabíamos que agora era hora de partir ou não iríamos nos controlar mais.

Saímos da casa de mãos dadas, mas logo Doug me colou ao seu corpo e me apertou contra a lateral da sua cintura. Parecia que me queria como posse.

O dia tinha sido perfeito, com música, filme, almoço maravilhoso, conversas nada importantes, beijos, carinhos. A visita da mulher de cabelo azul azedara um pouco, mas eu já estava começando a me acostumar com a idéia de que para ter Doug, teria que quitar seu preço.

Antes de entramos no seu carro, avistamos Gisele entrar.

_Eu já sei... _ ela falou pra Doug, como se eles estivessem conversando e eu acabasse de interromper a conversa. Era estranha a capacidade telepática deles.

_Estão se referindo a... como se chama? Felícia? _ perguntei, querendo participar.

Eu imaginei que Gisele ficaria muito feliz em me ajudar como personal style, mas parecia com o rosto muito sério.

_Não, ela não vai virar uma Alfa!_Doug gritou e eu achei que os dois fossem se engalfinhar bem ali na minha frente. Franzi a testa e pedi que parassem.

Não ouvi o que Gi disse para ele em silencia, mas, não sei porque eu podia jurar que aquela mexida de sobrancelha fora um “É mesmo? Quero ver você impedir!”

_Enquanto estiverem comigo, eu quero saber o que falam! _pedi. _Não me ignorem.

Os dois abaixaram os olhos, pareciam tensos e eu queria compreender por quê.

_Gisele, se não puder me ajudar, não tem problema. Sempre há uma segunda solução.

_De jeito nenhum. _cortou-me. _Vamos fazer isso dar certo.

_Ok, mas não quero os dois se matando por minha conta!

_Não tem nada a ver com você, Aurora. Mas, com eles... _Gi falou baixo.

_Eles quem?_eu quis saber.

_Vamos entrar, Aurora._Doug abriu a porta do carro e tive a impressão de que estava me forçando pelo braço a entrar.

_Eles quem, Doug? Alguém pode me explicar! _falei alto.

_Eles, eles...As pessoas que gerenciam nossas vidas. Não somos livres, ok? _disse-me com um tom “não faça mais nenhuma pergunta”. Deu a volta e sentou-se ao volante.

Gisele me pareceu com um rosto arrependido quando colocou a cabeça na janela e apoiou o braço.

_Sim, você é livre pra gostar de quem quiser. _seus olhos diretos para o irmão eram como um raio. _ Só temos que facilitar para isso dar certo. Conta comigo. _ela dizia isso pra ele, não para mim. _Eu te devo essa.

Não sei o que ela devia, mas fez muito sentido pra Doug, pois ele virou e a encarou também.

_Aurora... _pela primeira vez ela me dava atenção. _Amanhã, depois da escola nós viremos pra cá pra casa pra você fazer as provas. Não se preocupe com o que está por fora, por dentro você sempre será você mesma e os dois serão livres para se gostarem._ sorriu, um pouco triste, como se não pudesse partilhar disso também, parecia guardar algum segredo de amor.

Será que eles aceitariam a minha natureza interior um dia? Eu estava abdicando da minha exterior pra ficar com Doug e não me preocupava mais com isso:

_Ok, depois da escola. Tudo bem pra você, Doug._virei-me pra ele.

Não respondeu, ligou o motor do carro, coçou a testa e fez a ré para pegar o caminho da saída.

_Nós sempre podemos parar de algum ponto, Doug. Só é me dizer. _abri-lhe a oportunidade, já que não estava muito exultante.

_Não entende, não dá mais para parar.

_Não dá mais para parar, porque eles agora vão querer me usar um pouco para vender marcas ao seu lado ou porque você não consegue ficar mais longe de mim?

Ele engoliu em seco e ligou o som do carro, entregando que estava mais relaxado.

_Eu sou seu Alfa, lembra? _apertou minha perna, me fazendo lembrar do que lhe dissera no hospital. _Não dá mais para entregar de volta.

_Eu não disse que queria devolver. _ ri baixinho e ele também.

_Eu vou gostar de te trazer comigo amanhã de novo. _revelou.

_Finalmente ouvi os fogos de artifício, estava esperando essa explosão. _exagerei irônica e rimos mais alto.

Eu só tinha que passar uma noite em claro para explicar minha futura mudança aos meus pais.


(Continua...)


Enquete: Que estória Aurora pode contar para o seus pais para disfarçar as roupas, sapatos, bolsas e novo estilo a partir de amanhã? Ajude a construir essa história! Dê sua idéia nos comentários.

3 comentários:

Brina disse...

Oi Li!
Acredito q Aurora deva abrir seu coração p seus pais e contar toda verdade.
Os novos capítulos estão d+

Isabella Borges disse...

Ah, acho que ela ainda nao deve contar pros pais não. O pai dela vai ser contra na hora.

Mas ela pode falar que ganhou um concurso no shopping, ou que está querendo se sentir mais super humana.. alguma coisa do genero.

Amaaaaando o livro *-*

Li Mendi disse...

Hum.... idéias anotadas.

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