9 de set de 2011

Cap 24: Meio segredo (Aurora)

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Gisele estava de pernas cruzadas, perfeitamente brilhantes e firmes, terminando em uma linda sandália vermelha coberta por um fino tecido, com uma pedrinha brilhante na fivela. Sua boca perfeitamente desenhada com lápis rosa me esperava com um sorriso, depois de uma pergunta que para mim era o fim da linha.

Se eu era humana? Lógico que neguei, o que me restava senão perguntar de onde tinha tirado aquilo? Gisele não rebateu com palavras, aquela garotinha era muito mais astuta.

Levantou-se e veio requebrando, num passo de modelo meio afetada, parou na minha frente, pegou com gentileza meus dois pulsos e me guiou pra levantar. Inspecionou teatralmente uma mão, depois outra ainda com luvas:

_Eu poderia listar todos os seus deslizes. Mas, esse aqui é o que vai me dar mais trabalho! Como pode demorar tanto tempo para ficar boa, Aurora? _ sua voz era doce, melodiosa, quase enlouquecedora.

Em rápido estado de fuga, procurei a porta com os olhos e ouvi o clique desta sendo trancada. Era pior que filme de terror saber que podiam controlar tudo com os chips de suas cabeças.

_Não me respondeu ainda, Aurora.

Procurei a minha bolsa no meio de tantas sacolas.

_Aurora, você não pode voltar atrás. _ cruzou os braços. _ Não entende? Agora todos já sabem que você está com meu irmão.

Ok, ele era lindo, incrível, mas não era o filho de Deus! Depois, eu viria a descobrir que “todos” era muito mais gente do que eu imaginava na minha vã ingenuidade.

_Gisele, o que você quer com essas perguntas sem sentido?_ perguntei com voz dura.

_Só sua confissão. _deu de ombros como se me pedisse a coisa mais lógica do mundo.

_ Deixa eu imaginar, está gravando tudo aí na sua cabeça? E depois vai mostrar pro Doug._ minha voz já estava descontrolada. Ela iria me matar.

_Não. _sentou-se. _ Ninguém pode nos ouvir. Só eu posso te ouvir. Anda, diga.

_O que quer em troca? Vai me chantagear? Vai... fazer me expulsarem da escola?

De repente, tudo viera à tona e as conseqüências se tornaram tão claras que me dava pavor. Podia ver meu pai saindo algemado da escola matricular uma humana em escola de superhumanos. Nunca me perdoaria por não ter seguido seus conselhos.

_Não. Não vou fazer nada disso, nem contar para o meu irmão.

Pisquei o olho, meneei levemente a cabeça. O que aquela malvada gostaria, então?

_Aurora, eu só quero jogar limpo. Você está entrando em um jogo de muitas regras e não dá para fingir que não sei de nada.

Suspirei, deixei os braços morrerem ao longo do corpo e procurei a luz da janela. Respondi ainda de costas pra ela:

_Sim, eu...sou humana. _ pensei que não fosse sair da minha garganta. Virei o rosto para o lado. _ E o que vai fazer com isso agora?

Ela sorriu em vitória, quanto tempo estava esperando por essa oportunidade de me ter em suas mãos?

_Agora que eu tenho seu segredo e você terá um meu.

Esperei, nem ousei perguntar, pois tinha medo do que podia vir dela.

_Conhece o Bili?

Bili? Repeti o nome na minha cabeça, mas não precisei buscar muito. Claro que o conhecia! Ele era um queridinho das meninas do ano anterior. Gente boa, engraçado, nadador, por quê?

_Ele é como você, Aurora, humano. Veja como os muros daquela escola guardam tantos segredos.

_Sim. E, como meu irmão, eu também vou fingir que não sei de nada. Um meio segredo ainda deve ser um segredo, não?

_E você precisa de mim pra quê?_ perguntei duramente.

_Eu te ajudo e você me ajuda. _ pôs assim.

_O que quer fazer com Bili?

_Nada além de, como você e Doug, curtir o momento. Afinal, Aurora, você sabe que não vai durar muito tempo. Meu irmão não vai poder ficar com uma humana. Se ele não fosse um Alfa, talvez. _ deu de ombros.

Aquilo me machucava. Mas, que opção eu tinha? Estava completamente em suas mãos, nem ao menos podia desfazer o nó que eu já havia dado, ela usaria a corda pra me enforcar.

_Ok, eu trago o Bili pra você e você...?

_Eu te ensino tudo sobre os Alfas. _retrucou rapidamente. Naquele momento, eu quase achei injusta a troca, mas eu viria a precisar muito daquele intensivo sobre eles para um futuro bem próximo.

_O que posso dizer é que tudo pode ficar mais intenso, já pensou sobre isso?

_Você relevou quando entrou nesse jogo de mentiras? _levantou as sobrancelhas.

_E o que temos que fazer agora?_ eu queria acabar aquele assunto.

Gisele ficou atrás de mim olhando para o espelho na penteadeira à nossa frente.

_Vamos fazer uma obra de arte perfeita. _disse. _E aparar essas arestas..._afastou o meu cabelo ruivo do ombro. _Você vai ter dúvidas da sua humanidade. _piscou o olho pintado de verde e preto e senti os pêlos da minha nuca arrepiados.

_Esse é seu passe. _entregou-me um cartão.

Franzi a testa e peguei o pedaço de plástico preto.

_Você faz parte de uma agência de modelos. Não queira saber como comprei isso com gotas de sangue com um amigo! Você deve a ele um book urgente de fotos.

_Pra que eu preciso de...?

_Querida, como vai explicar as roupas e sapatos que vai levar pra casa? Você agora é uma modelo fotográfica que ganha muitos presentes, portanto, comece a perder seis quilos. Não sei como vocês humanos fazem, mas pare de comer!

Eu estava meio zonza, mas pelo menos tinha uma boa desculpa. Gisele pensava em tudo.

_E o que eu faço...? _perguntei meio perdida.

_Nada, eles vão fazer... _ sorriu. _Podem subir, rapazes. _ ela falou sozinha e não entendi nada.

Enquanto eu aguardava pra ver quem passaria pela porta, começou a tocar uma música.

My mama told me when I was young/ We are all born superstars /She rolled my hair and put my lipstick on/ In the glass of her boudoir/'There's nothin wrong with lovin who you are'/ She said, 'cause he made you perfect, babe'/'So hold your head up girl and you'll go far/Listen to me when I say/'I'm beautiful in my way/'cause god makes no mistakes/I'm on the right track baby/I was born this way/Don't hide yourself in regret/Just love yourself and you're set/I'm on the right track baby/I was born this way.

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