25 de set de 2011

Cap 33: Autocontrole (Aurora)

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Aquela palavra ainda ressoava em minha cabeça ao som de todas as vozes familiares, na de Doug, na de Gisele e agora na de Felícia: “Alfa”. Ela realmente estava me sugerindo que eu me tornasse uma divulgadora secreta de marcas? Isso me dava a absoluta certeza de que não conhecia a natureza de com quem estava lidando.

Demorei tanto tempo pensando na ironia da situação, que a deixei incomodada. Tomou o último gole de café e me encarou com os olhos firmes, pedindo resposta:

_Eu queria saber... por quê?_permiti-me a oportunidade da curiosidade.

_Você é boa. Muito boa em influenciar pessoas. O seu job será esse: influenciar. Não importando qualquer preço, qualquer máscara para sustentar todas as mentiras bondosas. As marcas fazem as pessoas felizes.

Soltei um pouco o ar e olhei o sol. Ela sem saber entendia bem da minha habilidade de fingir. Ser humana entre humanos me tornava especialista nisso. Mas, era um jogo muito arriscado, no primeiro dia de trabalho perceberia a escolha errada que fizera. Parece que toda minha demora e silêncio a fez entender que não teria hoje minha resposta. Ela, então, encostou seu celular no meu, em cima da mesa e transmitiu seu cartão para a tela do meu aparelho.

_Sabe como me encontrar agora.

_Ok, obrigada. _agradeci com um sorriso. Nunca poderia ligar...

Ela afastou-se e entrou em seu carro preto estacionado não muito longe.

_Você está aí. _ouvi a conhecida voz de Gisele atrás de mim. Pensei em me virar, mas senti um puxão no meu cabelo.

_Ai..._gemi.

Ela estava realmente puxando o meu cabelo? Demorei alguns segundos pra acreditar que iríamos começar uma briga. A regra inviolável que jamais pensei em burlar: nunca chame a atenção das pessoas em público, evite brigas, evite grandes discussões. Mas, ela estava querendo arrancar meus cabelos. Virei a cabeça na sua direção e levantei-me contorcendo todo meu corpo.

_O que você quer de mim ainda?_perguntei, sentindo muita dor.

_Não podia ter me deixado em paz? _ seus olhos mudavam de cor com o tamanho da sua raiva. Já devia ter tomado conhecimento da minha conversa com Bili.

_Você não contou sobre mim e quebrou minha confiança? O que achou?_disse-lhe.

_Ah, eu vou matar você, sua..._as palavras morreram em sua boca quando agarrei seu braço com força. Todo o meu corpo parecia em chamas. Acho que ela sentiu também, pois como que tomando um choque elétrico, me soltou olhando a grande marca vermelha em seu antebraço. _O que você fez? _deu um passo atrás.

Respirei fundo. Eu também não sabia como podia ter tido tanta força. Mas, o estranho é que não havia apertado tanto, eu não tinha tal musculatura pra isso, quebraria seus ossos. Ela cuspiu no braço pra aliviar a queimação e eu senti minha pele suar, emergindo o pânico. Mais uma vez eu estava envolvida com algum efeito inexplicável ligado a fogo e calor por reação de autodefesa.

_Agora eu acabo com você! _pulou em cima de mim e caímos na grama. Eu precisava me conter ou acabaria tocando fogo em tudo e a matando. Mas, Gisele agarrava meus cabelos e queria rasgar minha roupa. Parecia um animal enlouquecido.

_Parem vocês duas. _a voz masculina chegou primeiro em meus ouvidos, depois Gisele foi arrancada de cima de mim e pude ver o rosto de Bili.

Ainda em extinto de proteção avancei em cima de Gisele para empurrá-la, mas foi a vez de dois braços me darem um tranco para trás e cai sentada.

_Está bem?_a voz soou no meu ouvido como um despertar de uma parte triste dentro de mim, amortecendo minhas reações. _Leve-a daqui pra longe!_era Doug ordenando pra Bili sumir com sua irmã e dissipar a multidão. _Aurora? _seu rosto estava tão próximo que eu podia virar e nossos lábios se chocariam. Suas mãos ainda me agarravam firmes pelos braços, me sustentando, apesar de eu estar sentada.

_O que aconteceu? Fala comigo._pediu.

_Nada... _respondi quase sem voz, ainda estava com medo de provocar um incêndio a minha volta. Procurava não me mexer e respirava para me acalmar.

_Quer que eu te leve para tomar uma água ou quer ir pra casa?

Sem olhá-lo, inerte, segurando-me para equilibrar todo o calor, apenas pedi pra que fosse embora.

_Não posso te deixar aqui. Está machucada?

_Não. Estou bem. Quero ficar aqui. Pode ir. _engoli o choro de medo. Eu não podia aceitar sua mão pra me ajudar a levantar, não queria queimá-lo.

_Vai. _agora sooei mais firme.

Doug ainda andou de costas pra constatar se era seguro me deixar sozinha, mas obedeceu e se virou pra dentro do prédio. As pessoas que ainda olhavam nossa briga repentina também entraram.

Gastei alguns minutos respirando e respirando pra ventilar meu corpo por dentro. Pronto, eu voltara ao normal. Olhei a palma das minhas mãos que estavam vermelhas, mas não havia bolhas ou machucados. Era como se eu tivesse conseguido controlar aquilo.

O que eu era? Não era possível que os humanos tivessem poderes assim.

2 comentários:

Verônica Medeiros disse...

ótimo! desde a primeira aparição do poder de aurora eu me pergunto no que isso resultará na história

Gabi disse...

ahhhhhhhh li vc é a melhor em fazer suspense!!!

A Aurora com poderes? incrivel!

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