28 de set de 2011

Cap 34: Como pode ser difícil explicar (Doug)

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_Desculpem!_Felícia estendeu da mão assustada. _Eu acho que não entendi. _Olhou pra Gisele sentada à minha direita do lado oposto a ela. Estávamos em nossa sala de jantar no que parecia ser uma reunião de feedback pelo nosso último excesso de tempo em off._Podem repetir? _agora fazia uma careta de horror.

Na verdade, não tínhamos dito nada, se dependesse de nós. Estava tudo escrito em seu relatório que acaba de ler em voz alta, mas queria que saísse de nossa boca a confirmação das evidências. Felícia clicou no vidro da mesa e expandiu a imagem do seu celular com vídeos e textos. Queria rever todas as cenas, mesmo que já estivéssemos cansados daquele jogo da inquisição.

_É neste momento aqui..._bateu duas vezes no vidro com a unha. _...que tudo ficou em off. O que aconteceu? Podem me explicar por que estouraram a cota mensal de privacidade tão cedo? O que isso tem a ver com aquela mágica garota ruiva que deixou nossos jogadores maravilhados. O que fizeram pra sumir com ela?

_Na verdade, não sumimos. Ela ainda está estudando na escola normalmente. Foi só um caso e... Doug acabou. _Gisele resumiu por mim, conseguia transmitir com mais frieza.

_Olha, não há segredos entre nós... para o nosso bem. _introduziu como se fosse continuar dizendo que nos mataria se não falássemos o que houvera.

_Eu hoje ofereci a Aurora que fosse uma Alfa._disse-nos, para nosso espanto.

Gisele e eu nos olhamos e engolimos em seco. Aquilo sim nos preocupava e era isso que queria nos provocar.

_Não pode chamar Aurora para ser uma de nós. _Gisele caíra na armadilha de confirmar a suspeita de Felícia, não sei se por não querer nenhuma rival ou por ser realmente fraca e ingênua, mas isso me irritou. _ Ela é... _olhou-me ainda pra saber que eu iria impedi-la, não o fiz. _... uma humana.

_Hum...mana?_franziu a testa, como se já não soubesse. Então, por que a ofereceu o posto de Alfa. Será mesmo que não suspeitava disso?

_Mas... não vamos fazer nenhuma denúncia, nem contar a minha mãe, que é diretora da escola... _falei-lhe com voz suave e firme, olhando bem nos seus olhos. _Não queremos atrair a atenção para nós, certo?

Só estávamos podendo falar sobre isso porque perto de Felícia, ela nos concedia o silêncio e a privacidade, longe dos jogadores.

_Humana... Ela parece tão perfeita... _deixou-se recostar na cadeira, traída.

_Acho que a vida pode seguir daqui e os jogadores logo vão se divertir com outra coisa que arrumar pra mim. _tentei dar um ponto final pra ela, pra mim sabia que não seria fácil esquecer a minha ruiva “perfeita”, como Felícia mesmo concluía.

_Ok, tudo bem, vou arrumar uma namorada pra você.

_Não precisa ser tão rápida, não ficaria bem.

_Que não ficaria bem o quê? Eu sou sua gerente, garoto! Desde quando vocês têm problemas de trocar de garotas, até parece que estava apaixo...

Sustentei os olhos, mas minha boca secou e minha respiração ofegou.

_Não, não estava. _menti antes que pudesse me perguntar, como resposta eu talvez não conseguisse pronunciar. Precisava cuspir como um impulso aquela mentira. Eu ainda tinha pesadelos por ter tampado a boca de Aurora e a expulsado daqui.

_Que bom, sinal de que não terá problema com sua nova namorada. Vou buscar no book. Você quer escolher no catálogo ou eu escolho?

_Fica por sua conta. _levantei da mesa.

_Nós ainda não falamos da festa de hoje do perfume...

_Deixe o relatório que eu leio o briefing. _ respondi já na escada.

Joguei-me na cama de costas e suspirei. Como gostaria de ligar para Aurora. Os próximos dias que finalizavam o mês foram de muito trabalho. Meu outro “eu” parecia exercer minha vida completa. Aquele Doug que só Aurora conhecia estava adormecido.
Nossa completa distância durou até o sábado do começo do mês, quando a campanhia tocou.

Meus pais haviam saído em viagem e minha irmã estava fora. Busquei pelo meu chip imagens da câmera de segurança para saber quem apareceria ali pra me encher o saco na minha hora de folga. Só faltava ser Felícia com a minha nova namor... Esse pensamento foi interrompido quando a imagem que identifiquei me deu um susto: Aurora?

Pulei da cama e desci as escadas correndo sem me preocupar qual a roupa estava vestido, ou que discurso deveria usar.

Parei por um instante perto da porta. O que eu estava fazendo? Não, não poderia atender de jeito nenhum!

Mais dois toques e a empregada apareceu. Fiz um sinal pra que deixasse comigo. Franziu a testa e deu meia volta para a cozinha, afinal, se eu estava disposto a atender, por que continuava parado na frente da porta?

O som parou. Parece que havia desistido, agora era só eu voltar para o meu quarto e deixá-la partira. Hei, não! Pra que eu precisaria de tempo em off sem Aurora mais na minha vida? Felícia ficaria muito brava, mas não havia uma regra explícita sobre usar todo o tempo em um único dia, apenas que não era permitido ultrapassá-lo.

Respirei fundo e desliguei-me do mundo virtual, colocando uma meta de que deixaria algumas horas de sobra para emergências futuras. Coloquei a mão na maçaneta com o coração pulando no peito e abri a porta. Vi-a de costas, descendo as escadas.

_Aurora? _perguntei e ela virou-se lentamente. Seus grandes olhos verdes me encararam com doçura, quase fundindo meu coração de aço.

Aurora caminhou de volta até a soleira da porta e deixou vir um princípio de sorriso.

_Hoje já é o começo do mês certo? _lembrou-se das regras. Por certo havia planejado muito aquela visita.

_Ninguém está conosco. _ disse-lhe, sabendo que entenderia. _Quer entrar?

Aurora respondeu passando por mim, ficando em pé no centro da sala. Indiquei pra que sentássemos no sofá e me senti muito nervoso por não saber que palavras de desculpas usar. Minhas mãos suavam. Mas, quando seus olhos calmos me olharam, todo o medo de um briga eminente passou.

_Eu fiquei pensando muito... _disse depois de limpar a garganta. _ Eu sempre achei que a minha vida pudesse ser triste e... _parou e alongou o “eeee” pra pensar melhor. _...E concluí que a sua deve ser pior, Doug. Porque se eu posso viver menos que você, pelo menos eu viverei uma verdade.

Hei, viera até ali me dar uma lição de moral? Ter pena de mim? Isso a ajudava a enfrentar a minha rejeição? Não esperava que eu concordasse, certo?

_Verdade é o que andou vivendo? _ devolvi-lhe com ironia.

_Quando eu te amei e me entreguei era tudo uma verdade. Não a verdade para os outros, era a verdade para mim. _explicou como se fosse uma justificativa plausível por ter mentido sobre sua humanidade.

_Está tentando insinuar que quando eu te beijava o fazia por pura aparência ou coisas do jogo? _perguntei. _Não, não era o Alfa que estava com você! Era eu, Doug! E essa também era a minha verdade.

_O seu eu pode durar apenas algumas horas no mês? Sua existência, então, pode ser mais curta que a minha e era isso que estava falando sobre ser triste.

_Você não sabe de nada... _irritei-me severamente com ela pela primeira vez, na verdade, comigo. Aquela era uma realidade muito dura de se comprar.

_Doug. _puxou meu queixo pra ela com suas mãos delicadas e quentes. _ É você que está aí, você mesmo, não o Alfa?

_Sim. _respondi soltando o ar forte.

_E você pode ser o que quiser? Só por algumas horas?

_Sim...

_Ok. _olhou-me por alguns segundos, me estudando.

Aurora mexeu no meu cabelo com seus dedos, massagendo da maneira mais gostosa e relaxante possível até chegar a nuca. Sabia me ter em suas mãos.

_Por favor, não podemos... Eu não quero que depois..._neguei-lhe em fraqueza.

_Depois, não será você e não é esse que eu amo. _foi racional.

_Mas, você...

_Eu não quero saber de depois. _Aurora beijou-me, me puxando pelo braço e não foi possível recusar com seus lábios quentes, sua língua na minha. Aguarrei-lhe os cabelos ruivos e perfumados também, trouxe-a toda para mim.

_Aurora, me desculpe por tudo que te fiz... _ disse-lhe, precisando desabafar aquele pedido de perdão.

_Não precisa se preocupar pela minha natureza. Um dia você vai perceber que só a sua era uma escolha._acariciou meu rosto, encarando meu lado fraco.

_Só que toda a minha família está dentro dessa rede que nos prende. _justifiquei.

_Tem momentos que a gente tem que pensar só na gente.

_Não posso... Saiba disso. _ avisei.

_Mas, quem está me respondendo isso não está aqui agora. Por que está falando por outro?

_Você é louca... _beijei-lhe com muita vontade. Sua pele macia e branca despertava em mim toda a saudade que eu estava tentando sufocar.

_Eu só preciso de você agora... _puxou minha camisa para cima e a jogou de lado, apertando-me.

_Eu te amo..._abaixei-lhe as alças da blusa e beijei-lhe o pescoço. _Desculpe..._abracei-a mais._Eu te amo.

_Eu também..._beijou-me com mais vontade, acariciando minhas costas.

Todos os intensos minutos de cada hora amando Aurora tiveram o cheiro e o gosto da sua pele e da sua boca. Rolamos pelos lençóis da minha cama, rimos, nos beijamos, nos amamos uma vez após outra e quando silenciei, ela sabia que estava na hora do fim.

_Por favor, não me peça nada..._disse-lhe, tocando seus lábios para beijá-la depois.

Aurora sentou-se de costas na beirada da cama.

_Ok, eu não vim pedir nada. Doug..._ virou o rosto um pouco de lado. _ Eu amo você, mas se quer ser outro, eu vou precisar entender... Você tem muitas vidas além da minha pra viver, tem esse direito de escolher quando quer ser o que quiser...

Engoli em seco. Fechou a blusa e ajeitou o cabelo. Ajoelhou-se sobre a cama, engatinhou até mim e inclinou seu rosto, olhando-me profundamente. Ergui a cabeça pra beijá-la em despedida, mas recuou e saiu sem olhar pra trás, batendo a porta com força.

Levei as duas mãos ao rosto e olhei o teto. Meu peito se apertou de uma forma dolorosa.

3 comentários:

Li Mendi disse...

Need You Now Lady Antebellum
Picture perfect memories,
Scattered all around the floor
Reaching for the phone 'cause,
I can't fight it anymore
And I wonder if I ever cross your mind
For me it happens all the time

It's a quarter after one,
I'm all alone and I need you now
Said I wouldn't call
but I lost all control and I need you now
And I don't know how I can do without,
I just need you now

Another shot of whiskey,
can't stop looking at the door
Wishing you'd come sweeping
in the way you did before
And I wonder if I ever cross your mind
For me it happens all the time

It's a quarter after one,
I'm a little drunk,
And I need you now
Said I wouldn't call
but I lost all control and I need you now
And I don't know how I can do without,
I just need you now

oh ohhh...

Guess I'd rather hurt than feel nothing at all
It's a quarter after one,
I'm all alone and I need you now
And I said I wouldn't call
but I'm a little drunk and I need you now
And I don't know how I can do without,
I just need you now
I just need you now
Oh baby I need you now...
Preciso de você agora Lady Antebellum Revisar tradução
Memórias perfeitas
Espalhadas por todo o chão
Alcançando o telefone porque
Eu não consigo lutar mais
E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente
Comigo acontece o tempo todo

São 1:15 da manhã
Estou completamente só e preciso de você agora
Disse que eu não ligaria
Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
E não sei como sobreviver
Só preciso de você agora

Outra dose de uísque
Não consigo parar de olhar para a porta
Desejando que você entrasse arrebentando
Da maneira que fazia antes
E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente
Para mim isso acontece o tempo todo

São 1:15 da manhã
Estou um pouco bêbado
E eu preciso de você agora
Disse que não ia ligar
Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
E não sei como sobreviver
Eu só preciso de você agora

oh ohhh...

Acho que prefiro me magoar do que não sentir nada
São 1:15 da manhã
Estou completamente só e preciso de você agora
Eu disse que não ligaria
Mas estou um pouco bêbado e preciso de você agora
E não sei como sobreviver
Eu só preciso de você agora
Eu só preciso de você agora
Oh, amor, eu preciso de você agora...

http://www.vagalume.com.br/lady-antebellum/need-you-now-traducao.html#ixzz1ZFJLz8TO

Li Mendi disse...

Esse doug é um fraco!!! >.<!!! aff rs

Verônica Medeiros disse...

Li, obrigada por esse presente de aniversário. Acredito que o Doug não é um fraco, mas que precisa aprender que existem outras possibilidades, outras vidas.

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