1 de out de 2011

Cap 35: Eu não consigo mais viver com isso (Aurora)

Trilha do capítulo clique aqui

Corri por toda trilha em um ritmo mais puxado do que o de costume, como se a superventilação do meu sangue pudesse oxigenar meu cérebro e fazê-lo funcionar melhor. Não é possível que ele aprendera a pensar só em Doug. Sentindo uma ligeira dor no peito, reduzi e sentei em um tronco caído, arquejando com as mãos apoiadas nos joelhos. Fechei os olhos e engoli em seco pra umedecer a boca. O corpo foi se acalmando e joguei a cabeça para trás.

O que eu podia querer mudar indo na casa dele essa manhã? Tinha deixado claro que não poderia (entenda-se não queria) mudar sua situação pra ficar comigo e eu tinha que lidar com essa rejeição amarga e afetuosamente embalada com beijos.

Mas, não tê-lo não era o antídoto para começar a estrangular aquele amor dentro de mim. Era preciso uma ferida maior para despertar os anticorpos. E ela se abriu no meu peito na manhã seguinte, quando eu e minha amiga Sandrinha comíamos um sorvete duplo na nossa lanchonete preferida. Segundo sua teoria, uma dose cavalar de chocolate podia melhorar meu humor. Mas eu senti o sorvete travar na minha garganta como uma bola de gelo quando vi que Doug entrara com dois amigos de mãos dadas com outra ruiva.

Comecei a tossir involuntariamente, porém não pareceu que fora tão espontâneo, pois chamei a atenção de Doug, que me olhou longamente. Meus olhos lacrimejavam e era por conta daquela quase convulsão. Sandrinha virou-se, entendeu o que estava acontecendo, depois não conseguiu me encarar, devia estar com pena. Enterrou sua colher de cabo longo na calda quente do sorvete:

_Quer bater em retirada? Eu posso viver sem o resto do brownie. _perguntou.

_Não está propondo que eu me mostre atingida pela namorada instantânea de Doug, está? _revirei os olhos e lambia a colher.

_Não foi essa mensagem que passou agora pouco. _ disse baixinho.

_Ok, eu estou me sentindo...

_Uma droga? _ajudou.

_Tem alguma palavra pior que essa? Ontem, estávamos juntos, fizemos amor e agora ele me aparece com uma nova garota e ruiva?! Idiota.

_Não, você não o acha idiota e está completamente apaixonada. Não posso acreditar que ele a deixou e ainda fica tendo recaídas. Se valorize! _aconselhou. A história que contei pra Sandrinha deixava Doug como um vilão, mas eu também não podia dizer que era legal da sua parte me substituir tão rapidamente.

Doug passou a mão sobre os ombros da garota e a beijou.

_Vou ao banheiro... _levantei-me, empurrando a cadeira para trás. Abri a porta do box e vomitei até os olhos lacrimejarem.

Lavei a boca na pia e sequei o rosto com o papel toalha, ajeitei o cabelo.

_Ótimo, eu precisava mesmo vomitar toda aquela gordura saturada. Como pretende ficar magra, sua humanazinha fraca? _ murmurei, jogando a bola de papel no lixo e abrindo a porta rapidamente pra aceitar o convite de Sandrinha de cair fora, mas estanquei quando vi Doug encostado na parede oposta do corredor do banheiro masculino.

Estava esperando para entrar? Estava aguardando sua nova ruiva que entrara no banheiro sem eu ver? Não, ele me esperava e estava desalentadoramente lindo com um jeans justo nas suas pernas fortes, uma jaqueta preta de couro e o cabelo molhado. Seu perfume seco era tão bom que eu podia dobrar meus joelhos fracos se não me encostasse já na parede.

_Tudo bem? _perguntou.

_Comigo? _apontei para o meu peito. _Óh, ótimo. _garanti.

_Desculpe, deu pra ouvir que...

_Está tudo bem! _falei alto. _Por que está interessado em mim, Doug? _irritei-me e tentei ficar na linha rude pra que ele não me atingisse novamente.

_Espere... Não gosto que fale assim comigo... _segurou meu braço, me trazendo mais para perto, tocou meu rosto e mergulhou sua mão por baixo do meu cabelo. _Me jure que está bem?

Abaixei os olhos. Eu podia falar toda a verdade? Não! Ele podia dizer também o que sentia? Não. Então, qual seria a forma de expressão aquela confusão de sentimentos?

_Eu estou cheio de trabalhos, entende? _fez um movimento de cabeça para trás.

_Eu não preciso mais entender, Doug. Eu não sou nada sua, lembra? _fiz menção a sair, mas ainda sustentou seus dedos fortes no meu braço e seus olhos azuis lindos sobre mim. _Doug, não se pode ter tudo na vida. É preciso escolher.

Saí e encontrei Sandrinha à minha espera.

_Seu sorvete derreteu. _avisou.

_Tudo bem, eu vomitei a outra parte. _peguei minha bolsa. _Podemos ir?

_Claro! _apressou-se a levantar.

Coloquei meus óculos escuros e percebi que os olhos de Doug me seguiram quando passei por eles, mas por sorte minhas lentes pretas não deixavam que soubesse que os meus ficaram fixos nos seus também.

Bati a porta de casa atrás de mim e joguei a chave no aparador de vidro da entrada.

_Querida, está melhor? _minha mãe largou sua revista e levantou-se do sofá pra vir ao meu encontro, prestes a me abraçar.

_Não se preocupe, está tudo ótimo. _fiz um gesto com a mão. Se ela me embalasse, eu não conseguiria manter aquela aceitação mentirosa.

_Querida, eu sei que você e Doug terminaram. Não precisa tentar se fazer de forte.

_Mãe, eu não tenho como resolver isso, ok? Então, me ajude a não pensar nisso não falando sobre o assunto.

_Ele descobriu? _perguntou quando passei por ela.

Parei.

_Sim, eu tive que contar. Desculpe poder ter arriscado tudo, mas não dava pra viver assim.

_Você arriscou tudo, querida. _lembrou-me. _Não o tem.

_Obrigada, está me fazendo eu me sentir ótima agora. Vamos brindar? _fui irônica.

_Não precisa falar comigo assim!

_Desculpe. _voltei até ela e segurei seu rosto. _Eu não tenho mesmo o direito de falar assim. Vocês me amam tanto. Eu não mereço seu amor, mãe. _senti um aperto no peito. _Eu sou uma humana e vou ficar sozinha. Não tenho o direito de cobrar de Doug que queira ficar com alguém fraca como eu.

_Querida, você não é fraca. Você é muito forte.

_Não! Pare de se enganar, mãe! Eu sei que vou morrer antes de vocês. Eu vou ter que continuar a esconder meus machucados, eu vou ter que fingir ser forte e quando todo mundo tiverdinheiro pra comprar um chip, eu terei que arrumar uma explicação para não ter o meu. Essa é a minha vida, a minha... droga de vida! _engoli em seco.

_Não precisa ser assim..._ ela estava chorando, enquanto segurava meu rosto com suas duas mãos._Você parte o meu coração querida como se o apunhalasse.

_E como está o meu, mãe? Eu acabei de ver Doug com outra garota super humana, superlinda, super forte! Eu me sinto tão inferior... Não é estar longe dele que me mata, me mata saber que o meu coração é tão burro e fraco que não consegue odiá-lo pelo fato de ter, primeiro... _enumerei no dedo._... escolhido não ficar comigo com sã consciência e, dois, estar beijando outra agora.

_Então, ele não te merece, querida.

_Não, mãe, eu sou uma humana, só isso.

Virei-me pra subir para o meu quarto, onde me enterraria no travesseiro.

_Não, Aurora. Não! _ela gritou.

Voltei-me pra minha mãe, que parecia estar tendo um ataque de nervosismo, suas mãos tremiam segurando o próprio rosto, como se sua cabeça estivesse prestes a explodir.

_Eu não agüento, eu não posso mais viver com isso..._soluçou e buscou voz.

_Mãe? _franzi a testa, agora muito assustada. Ela não podia estar falando de mim e Doug, aquela cena de histeria não era típica sua.

_Eu estou cheia! _passou o braço por todas as louças no aparador e as arremessou no chão. _Eu não posso suportar mais um dia disso! _jogou um dos porta-retratos que restou contra o espelho de vidro da entrada que se partiu em micro pedaços.

Eu estava em estado de choque, não conseguia dar um passo em sua direção.

_Desculpe, não quis fazê-la se sentir assim. Eu sei que deve ser um peso ter uma filha humana, desculpe, mãe, eu sei que tem que agüentar muitas coisas por mim...

_Aurora, se cale. _mandou com os olhos brilhando de descontrole.

Eu obedeci agora assustada realmente com o que estava por vir. Podia jurar que me bateria.

_Você nunca foi um peso nessa casa, eu é que não mereço seu amor. Não merecemos.

_Mãe, do que está falando?_balancei a cabeça para os lados.

_Não, querida, não é justo. Você não precisa levar esse peso, nem eu preciso.

_Mãe, está falando coisa com coisa... _pisei sobre os vidros e tentei ampará-la. _Só se... _tentei rir. _ Eu me matasse pra resolver isso! Deixa de ser boba. Vamos... tomar sorvete, comer chocolate na minha cama e ver um filme de comédia juntas...ãnh?

_Aurora... _ela não me ouvia. _... Você pode nunca me perdoar por isso, mas eu tenho uma coisa pra te dizer, nem que seja a última coisa que eu faça. _ segurou minha mão.

[Continua...]

6 comentários:

Li Mendi disse...

O quê? O quê????

Fala logooooo!

Ok, eu conto no próximo cap.

Tem alguém ansiosa aí pra saber?

rsrs

Anônimo disse...

OH MY GOD!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Isso nao se faaz Li! kkkkkkk
Muito boom esse capitulo! Quero sabeer logoo essa big revelação

Anônimo disse...

nossa e como estou curiosa, conta logooooooo....bjos.

Brina disse...

Li não demora muito se não vou morrer de curiosidade....

Gabi disse...

ahhhhhhh que coisa li!

vou ficar sem unha até vc postar a continuação!

rsrs....

Verônica Medeiros disse...

Por favor, me diz o que Aurora é realmente. E logo!!!

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