11 de out de 2011

Cap 37: Você tem esse direito (Aurora)

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Eu não consegui colocar a torrada na boca, nem acho que meu pai me daria esse tempo, estava ansioso pra saber qual era meu pedido. Aquele assunto era novo para todos nós.

_Quero ter um chip também. _revelei meu pedido.

Não foi um alívio nem uma exigência inalcançável. Ele poderia gerenciar isso bem.

_Ok, você tem o direito de tentar a ter uma vida de super humana.

_Quê? _minha mãe jogou o guardanapo na mesa. _Não pode arriscar a vida dela. E você! _apontou pra mim. _Você não vai sair agora fazendo um monte de maluquices.

Eu continuava serena, olhando para o meu pai.

_O corpo de Aurora já provou que reage bem a muitas coisas, se ela quer muito ter um chip... é um direito seu. Posso pagar e lhe oferecer isso...

_Eu quero virar uma super humana, com uma super beleza, super força...Você pode administrar algumas coisas no meu corpo, uns remédios, suplementos..._mostrei minha vontade de me livrar do estigma de humana.

_Vá com calma, querida._pediu minha mãe.

_Como disse sua mãe, vamos por partes e com calma. Primeiro, faremos sua cirurgia pra implante do chip. Isso dará a sensação de superioridade que deseja. Devemos essa segurança a você, lhe ajudará a assumir a sua identidade real. Mas, há ainda muitas coisas a aprender sobre seu dom pra não usá-lo de forma errada... _aconselhou ele.

Minha mãe levantou-se muito decepcionada com o rumo das coisas e saiu da mesa.

_Mas, eu também mantenho meu pedido. Fique longe de Doug, ele não merece você.

_Eu tenho que ir para a escola.

_Aurora, vá com calma. Você tem muitas coisas de humana ainda, sua recuperação nunca é rápida quando se machuca, por isso, não jogue o jogo contra você.

Jogo... Ele era um dos jogadores da vida de Doug! E ainda por cima era um Alfa! Eu tinha um Alfa dentro de casa?

Peguei minha mochila pra sair, realmente estava precisando tomar um ar. Assim, absorta, andei pelos corredores da escola com a vista um pouco embaçada, mergulhada em meus pensamentos. O mundo estava desfocado à minha frente. Eu olhava pra dentro tentando ver beleza no paraíso que imaginava morar os super humanos, mas só sentia que tudo continuava como antes, não havia essa esperada super força. Eu era uma mutante, não uma super humana completa. Seria essa a explicação?

Ouvi uma risada alta e um gritinho feminino:- “Doug”. Virei o rosto em reflexo pra trás e vi a ruiva pendurada no pescoço de Doug no meio da roda de amigos ricos e super humanos, super bem vestidos, super in. Sustentei o olhar por alguns segundos suficientes para seus grandes e vivos olhos azuis encontrarem os meus. Seu sorriso morreu aos poucos.

Continuei meu caminho. A voz do meu pai me veio a cabeça: “Você não vale pra ele nem o carro conversível que anda. Mas, querida, você foi criada com os melhores valores. A gente sempre pode escolher. E ele não escolheu você! Se ele está sofrendo? Não! O Doug está curtindo sua substituta.”

Engoli em seco e ergui a cabeça até a sala de aula, onde joguei a mochila em uma mesa encostada à janela. Encostei o queixo sobre o braço e fiquei observando o jardim lá fora. Eu gostaria de sentir o que meu pai queria que eu sentisse, mas meu coração simplesmente desejava estar com Doug. Não conseguia ser racional para entender que ele não arriscaria tudo por mim. Suspirei pesadamente.

A mesa estremeceu com o estrondo que se seguiu de uma mochila caindo sobre o tampo de madeira. Assustei-me e olhei para o lado com a testa franzida de susto. Meu coração estancou. Era Doug. Vestia uma blusa pólo branca que deixava seus braços fortes com um contorno desafiador para minha resistência. Sentou-se e chegou mais perto:

_Vai me ignorar completamente e não nos falaremos mais? _sua voz enrouquecida pela manhã e o perfume delicioso que me envolviam me deixou um pouco tonta.

Dei de ombros. Esse não era o plano que tinha pra nós? Eu bem longe, ele fingindo que tinha uma nova namorada perfeita? Mas, ignorá-lo era uma ofensa para um alfa acostumado a ser o centro do mundo.

_Já gastou sua cota esse mês comigo... _lembrei-o sem entusiasmo e senti doer quando as palavras entraram em meus ouvidos e recordei da última vez que estivemos verdadeiramente juntos, sem farsas.

_Aurora? _chamou e eu fechei os olhos por alguns segundos pra meu coração não derreter e ter que recolhê-lo do chão. _Você está linda como sempre... _tirou alguns cachos caídos no meu rosto e senti como um choque o escorregar da ponta dos seus dedos sobre a pele da maçã do rosto.

_Eu vou sentar em outro lugar. _ameacei levantar.

_Não tem outro. _sorriu e seus dentes brancos transparentes na ponta e sua boca vermelha e úmida me arrepiaram inteira. Que efeito devastador ele tinha?! _Sente-se antes que comecem a falar de nós.

Engoli em seco e sentei inconformada, respiração agitada, pés andando milhas debaixo da mesa, espírito inquieto. Eu não ia chorar, ia?

O professor apagou a luz e começou a mostrar em uma projeção em 3D algumas reações químicas nas células.

Notei o quanto ficara perto de Doug quando sentara novamente, quando seu braço encostou no meu por baixo da cadeira e o pêlo fino do seu braço roçou na minha pele quente. Tive aquele costumeiro e recente pânico de provocar algum desastre. Respire. Respire. Ventile. Acalme-se.

Seus dedos roçaram meu punho fechado e mergulharam entre o polegar e o indicador, quebrando minhas forças e se entrelaçaram perfeitamente com a minha mão. Senti a força daquele toque ativando todos os meus nervos. Engoli em seco e o olhei pelo canto dos olhos concentrado na aula. Seu dedão acariciou o contorno da minha mão repetidamente em um movimento delicado e amoroso.

Soltei-o, peguei minha mochila e atravessei a luz e as células projetadas no ar, sem me preocupar com a turma inteira estar nos olhando curiosa por quase ter derrubado a cadeira.

Não me importei nem em fechar a porta. Eu não tinha que me preocupar com o que pensavam. Agora, eu podia pensar só em mim e não era justo comigo aproveitar o prazer do contato e depois ser deixada por Doug outra vez. Não queria migalhas.

_Aurora? _era a voz de Doug.

_Não... Não venha atrás._ senti que ia chorar de cansaço. Eu não tinha toda essa energia pra resistir.

Continuei andando apressadamente. Tolice, seria capaz de me alcançar facilmente. Como presa fácil, segurou meu braço e me fez parar. Não o impedi. Vencera como sempre vencia meu coração de segunda divisão. Com a outra mão ele abriu a porta de uma sala, que averiguo antes estar vazia. Fechou-a atrás de nós.

_Qual é o seu problema?! _irritei-me._Quer ter tudo? Você não poder ter tudo, Doug!

_Mas eu não tenho nada, porque eu não posso ter você! _sua voz era calma e doce. Se aproximou mais e mais.

Só restou-me retroceder até o limite da parede. Olhei pra trás, não era possível recuar mais nenhum passo.

_ Vê o que faz comigo! Eu não podia estar aqui seguindo-a, mas...

_Doug, não..._segurei seus dois antebraços quando tentou tocar meu rosto. Apertei-o quando inclinou-se mais e senti minhas mãos esquentarem. Doug gemeu e eu fiquei preocupada._Oh meu deus, eu te machuquei?

Seu braço estava com duas marcas vermelhas. Eu o havia queimado?!

Doug parecia não ligar se eu podia machucá-lo e aquele principio de acidente me fez esquecer por alguns segundos que estávamos sozinhos e que Doug quase se colava a mim.

_Aurora, ninguém mexe comigo como você...

_Por favor, não faça isso..._ deneguei.

Ele me escutava? Puxou-me pela cintura, inclinou o rosto para a esquerda e roçou seus lábios nos meus já entre abertos. Aquilo provocou um arrepio, tentei fechar os pulsos na sua camisa, fazer débil força contrária, mas ele era obstinado e egoísta, teria sim tudo que quisesse. Esperou alguns segundos pela minha resistência e colou seus lábios nos meus.

Com sua força me suspendeu mais contra a parede, meus seios esmagados contra seu peito forte. Beijou meu pescoço sem fôlego, respirando forte meu perfume, meu cabelo, lambendo minha pele. Eu procurei de volta seus lábios, sorvi seu queixo, senti sua língua. Havia um vulcão cheio de lavas saindo de dentro de mim. Ele apertou suas coxas fortes contra minhas pernas trêmulas e me inclinou um pouco pra trás para beijar o meu colo sobre o decote. Puxei seu cabelo, querendo sua boca de volta para continuar aquele beijo delicioso.

Só o sinal soando alto nos fez parar muitos minutos depois. Eu estava com a boca seca, tonta, voltando à terra outra vez.

_É isso que você faz comigo._deu-me um último e breve beijo. _Você sai primeiro?

_Hum?...ãnh? Si...sim. _segurei a porta e a abri. Andei pelo corredor, sentindo que estava andando em oito, como uma bêbada, mas não olhei para trás. Eu tremia.

3 comentários:

Verônica Medeiros disse...

ÓTIMO!!! Mas eu estou curiosa

Gabi disse...

:O

Gente gente gente, essa história ta ficando cada vez melhor hein?
Li, vc se supera a cada dia!

Brina disse...

UAU!!! Q capítulo M A R A V I L H 0 S O!!!

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