2 de nov de 2011

Cap 39 (FINAL): Guardei meu amor pra você (Aurora)

Trilha do capítulo clique aqui

Eu nunca pensei que teria a chance de um dia fazer aquela cirurgia e agora um tubo se ligava ao meu braço preparando o intervalo entre o antes e o depois. Meu pai segurou minha mão em um aperto e não sorriu, ele tinha apreensão e eu só podia sentir ansiedade pra acabar com o silêncio em minha cabeça: queria logo aquele chip.

Era a morte da minha humanidade e o ressuscitar pra a superioridade. Fechei os olhos esperando logo que o efeito da anestesia começasse e ele veio, desligando todos os meus nervos. Não havia nada neste hiato de dias que durou. Pra mim eram só dois segundos e novamente eu estava em um quarto de hospital.

_Querida..._ meu pai sorriu agora sim aliviado pelo êxito. Eu tinha certeza que ele era o melhor pra fazer aquilo. _... Finalmente pudemos tirá-la do coma induzido.

_Pai..._ não conseguia me mexer, só mover os lábios._...Como funciona?_ perguntei.

Ele acariciou meu cabelo da testa e riu. Tinha os olhos brilhantes admirando-me.

_Pode ouvir do lado de fora da janela o beija-flor? _perguntou.

Eu acalmei o espírito e procurei aguçar o ouvido. Sim, eu ouvia o bater das asas. Virei o rosto para o lado e notei as micro partículas de poeira em suspensão no facho de luz amarela do som.

_O que mais eu posso fazer?

_Conversar sem mexer os lábios. _ disse e só então notei que não movíamos nossas bocas. Entre abri a minha, maravilhada. _Pode me ouvir, não?

_Óh... _ri.

_Você merecia o chip mais avançado de todos que já se viu. E terei que trabalhar muito pra pagá-lo. _gabou-se como se me desse a chave de um carro.

_Sua visão e audição estão dez vezes mais apurada e pode conversar com várias pessoas ao mesmo tempo em redes privadas ou compartilhadas. Mas, primeiro precisa se compartilhar pra eu te ensinar toda a potencialidade disso.

Eu aprendia rápido. Lidei com a dor de cabeça inicial, coloquei aplique aumentando meus cabelos ruivos pra disfarçar a pequena área raspada na minha nuca. Eu estava pronta pra voltar pro mundo com tudo.

Achei o cartão de Felícia jogado em alguma bolsa e liguei, maravilhada por não precisar de nenhum aparelho.

_Oi. É Aurora, tudo bem? Você deixou seu contato comigo. Podemos marcar um encontro?

_Aurora, sei que te fiz uma proposta, mas soube de certos detalhes que invalidam a minha oferta. Conversei com Doug e Gisele.

_Pois não deveria acreditar em tudo que eles falam. Por que não nos encontramos no shopping pra almoçar?

_Ãnhhh... Ok, ok._ ela aceitou.

Quando me viu, Felícia fechou um pouco os olhos. Seu perfume foi fácil de reconhecer e achar o nome na internet. Minha mente agora era tão veloz que eu me sentia uma máquina. Podia enxergar a marca da sua roupa entre seus cabelos pelo espelho atrás das suas costas no restaurante.

Eu estava mais alta pelos saltos, tinha a boca pintada de vermelho conforme meus cabelos recém tingidos pra se igualar ao aplique de um ruivo intenso. Eu era um superlativo de mulher agora e isso era uma pista de que eu não estava brincando no telefone.

_Já pediu? _ perguntei displicente, usando muito bem a habilidade de falar por transmissão de voz por ip, usando a rede ativada pelo meu chip. Continuei olhando o menu displicentemente.

_Anh, não... Estava esperando você.

Fiz meu pedido ao garçom e depois inclinei-me sobre a mesa de vido e base metálica.

_Eu vou ser objetiva, eu quero aceitar a sua oferta.

Felícia estava muito, muito desconcertada.

_Por quê?

_Por que preciso.

_Precisa de quê?

_Óhhh, acha que é pelo Doug? Não! É por mim mesma.

_O que te leva a achar que pode ser uma alfa?

_Por todos os motivos que você mesma me falou na última vez que nos vimos.

_Hum.

_Eu sou linda, inteligente, uma superhumana perfeita pra atrair seus clientes pelo marketing de relacionamento. Estou disponível.

_Não é um acordo passageiro, querida. Não poderá enjoar de uma hora pra outra.

_Eu tenho consciência disso. Já convivi bastante com os alfas, não acha? _ desafiei. Ela sabia que me referia a família de Doug e a meu pai.

_Seu pai aprova?

_Já sou maior de idade, tenho meu próprio chip, meu próprio corpo, minhas próprias conclusões.

_Ok.

_Isso é um sim?

_Não. Isso é um teste. Você será uma estagiária por um ano. Andará com nossos alfas e depois de sair do seu período de calouro, eu decidirei qual é o perfil de empresas que irá atender.

_Como quiser.

_Você terá aulas com nossos professores.

_Aulas? Ãnh, ok, feito... _ segurei meu tédio por ouvir a palavra “aulas”.

_Não acha que basta um corpinho bonito, não?

_Tenho certeza que é preciso muita inteligência.

_Também. Você precisa aprender a arte de influenciar. Isso vai além dos seus instintos, que já são bons.

_Já disse, tudo como quiser.

Quando o carro me deixou na porta da festa, eu senti-me apreensiva, mas confiante. Eu era uma superhumana. Havia lido todas as páginas do briefing que Felícia me passara. Não precisava fazer nada além de estar presente.

_Alfa júnior chegando. _ouvi uma voz na minha cabeça e identifiquei um rapaz sorrindo pra mim com cabelos dourados encaracolados na entrada. Como eu saberia se era ele o dono daquela voz ou só um flertador?

_Alfa júnior, encontre seu grupo na mesa do segundo andar, próximo a janela onde uma mulher está de vestido amarelo.

_Entendido. _respondi e peguei uma bebida. Tinha que relaxar.

_Alfa júnior subindo as escadas.

Droga? Aquela voz masculina ficaria nos meus ouvidos a noite toda dizendo o que eu fazia, pior, me chamando de júnior?! Saco. Um ano?!!! Era esse o prazo?

Caminhei pelo mezanino e vi um grupo de rapazes com o perfil de capa de revista abraçados com suas garotas. Minha audição perfeita conseguia separar a voz deles da música eletrônica alta.

_“Doug, mais uma caloura pra a gente se divertir!” _ todos riram, mas não me afetei tanto com o preconceito quanto ouvir o nome “Doug”.

Soltei o ar pela boca, engoli em seco e puxei a imagem que tinha tirado de mim no espelho antes de sair de casa. Estava com um vestido azul marinho de acetinado preto tomara que caia de uma grife famosa e cabelos semi presos.

_Não pensem que não posso ouvi-los, rapazes... _disse-lhes e cheguei sorrindo, confiante, pé na frente do pé, como uma modelo.

Os rostos viraram-se pra mim, mas meu foco era naquela nuca loira.

Doug fixou seus olhos azuis em mim e os desceu até meu pé, escaneando o que via.

_Aurora?

_Ultimamente estão me chamando de Alfa júnior, mas pode me chamar de Aurora. _ ri, deliciada pelo meu novo poder de falar pela mente.

_Você o quê? _agora sua boca se mexeu, testas franzidas, horrorizado.

Ignorei-o.

_Deni, quem é Deni? _perguntei.

Um rapaz apareceu e quase duvidei que fosse segurança. Tinha o cabelo comprido e preto. Era tão liso que precisava conter atrás da orelha. Seu rosto era indígena e duro, sério. Tinha um corpo forte por trás do terno preto.

_Soube que preciso ser sua sombra por um ano. _ sorri-lhe. _Puxa, pensei que me apareceria um velho de cabelos brancos com um livro de boas maneiras.

_Quer que lhe passe meu currículo?_levantou uma sobrancelha.

_Eu vou me aposentar fazendo o que esse cara faz. _brincou um dos rapazes, tomando um beliscão de sua falsa namorada loira.

_Vamos dar uma volta, então. _ ele polidamente pegou minha mão.

_Aurora? _era a voz de Doug.

_Você não pode ter virado uma Alfa! _ sua voz tinha desespero.

Aceitei sua conversa em uma linha particular, mas mantive-me descendo as escadas, dando-lhe as costas.

_Eu guardei meu amor pra você, Doug. Mas, você não quis. Agora, vou trabalhar.

[FIM do livro 1. Quer continuar lendo a saga, vá até a parte 2. Clique aqui.]

8 comentários:

Anônimo disse...

UUUAAAALLLLLL, ADOREI...BJS.

Anônimo disse...

Liii, eu já disse que vce é demais? Pois voce é!!! Muito bom esse novo capitulo!!

Gabi disse...

ahhhhhhhh ataque cardíaco a vista!

Você se supera a cada capitulo!

Medeiros disse...

Li, muito, muito obrigada por voltar! Me pergunto: o que Aurora quer com isso? Porque não ser só uma supehumana com poderes? As ações dela estão me deixando LOUQUINHA da vida. Por incrível que pareça eu entendo o Doug, mas não Aurora. Arg, ela é tão imprevisível como o fogo.

dani disse...

Uau... estou amando o romance!!!

princesskarla disse...

Estou aqui louca pra ler o restante, sou apaixonada por todos os seus livros, principalmente os de militares, acho que vivo junto a história, choro, suspiro, dou risada, me apaixono...quero mais, muito mais. Fico aguardando a proxima historia, leio e releio os livros, amoooo...parabéns pelo trabalho.

Anônimo disse...

Nossa ki ansiedade, ta muito bom Li, eu só acho ki a Aurora ñ deveria fikr ( ou fazer ele sofrer muito) com o Doug pq cara ele é muito safado, eu pensei ki talvez ela fosse fikr com akele humano pelo qual a giseli tava interessada ou com algum outro...bem q o Doug merecia né?

Li Mendi disse...

Meninas, muito bom estar de volta tb! to aqui reescrevendo um coração em guerra pra quem gosta de livros militares.